"(...) sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu deus mas como você me dói de vez em quando."
Harriet.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
"Talvez não, perdeste a fé? Não te castiga assim, está tudo em paz. Nunca houve cães. É como uma cantiga de ninar nas cinzas do fim do mundo. Um barbitúrico, se preferires. Entorpece, melancólico, te leva para longe. Já se perdeu, não há futuro. Repousa, meu amigo. Deixa-me passar a mão nos teus cabelos. Está amanhecendo. Em voz baixa, eu canto para te enganar."
Décimo segundo fragmento da décima terceira voz.
Décimo segundo fragmento da décima terceira voz.
sábado, 26 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo."
Porto Alegre, 10 de agosto de 1985.
Porto Alegre, 10 de agosto de 1985.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
"... tive vontade de sentar na calçada da rua Augusta e chorar, mas preferi entrar numa livraria, comprar um caderno lindo e anotar sonhos."
caio fernando abreu.
"Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios – e tudo bem. Ou: que se há de fazer."
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
A Vera e Henrique Antoun
Porto Alegre, 23 de dezembro [de 1971].
Vera e Henrique,
meus queridos: imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos - acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina - ou coxilha, como se diz aqui no Sul - no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo - e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzante como se estivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?) - lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde - mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza - combinado?
Porto Alegre, 23 de dezembro [de 1971].
Vera e Henrique,
meus queridos: imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos - acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina - ou coxilha, como se diz aqui no Sul - no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo - e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzante como se estivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?) - lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde - mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza - combinado?
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
"...impossível que você não perceba como é doloroso para mim mesmo encarar esse rompimento. Afinal, a afeição que nutro por você é um fato.
Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro? Teria, teria sim, teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto, teria dito também estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado."
os sapatinhos vermelhos.
Teria mesmo chegado ao ponto de dizer nutro? Teria, teria sim, teria dito nutro e relacionamento e rompimento e afeto, teria dito também estima e consideração e mais alto apreço e toda essa merda educada que as pessoas costumam dizer para colorir a indiferença quando o coração ficou inteiramente gelado."
os sapatinhos vermelhos.
música do dia. 23/01/2008 (13h20)
Quem tem coragem não finge
Rodox
É preciso ter um tempo longe daqui,
Tempo de ficar só.
De andar na areia e sumir.
O amor verdadeiro não reage assim,
Pode fazer melhor:
Esconde o medo e sorri.
Quem já nadou contra a corrente
Sabe usar o vento a favor.
Só o momento é diferente,
É a mesma ferramenta que usou.
Eu não preciso mais fazer o que você diz,
Dei valor ao meu suor.
Ninguém decide por mim.
Se eu agi errado me perdoe porque eu não quis
Amarrar outro nó
Que prende pra dividir.
O que impede de andar pra frente
É a direção que escolheu.
Se um abismo separa a gente,
Quem fez a escavação não fui eu.
Eu sei que gente que tem coragem não finge
Que nada disso aconteceu.
Quando eu acordei era fim de tarde
Meu lado claro escureceu
(Um novo sol só de manhã)
Faz envelhecer tendo a mesma idade
De tanto que a alma sofreu
Eu sei que gente que tem coragem não finge...
Rodox
É preciso ter um tempo longe daqui,
Tempo de ficar só.
De andar na areia e sumir.
O amor verdadeiro não reage assim,
Pode fazer melhor:
Esconde o medo e sorri.
Quem já nadou contra a corrente
Sabe usar o vento a favor.
Só o momento é diferente,
É a mesma ferramenta que usou.
Eu não preciso mais fazer o que você diz,
Dei valor ao meu suor.
Ninguém decide por mim.
Se eu agi errado me perdoe porque eu não quis
Amarrar outro nó
Que prende pra dividir.
O que impede de andar pra frente
É a direção que escolheu.
Se um abismo separa a gente,
Quem fez a escavação não fui eu.
Eu sei que gente que tem coragem não finge
Que nada disso aconteceu.
Quando eu acordei era fim de tarde
Meu lado claro escureceu
(Um novo sol só de manhã)
Faz envelhecer tendo a mesma idade
De tanto que a alma sofreu
Eu sei que gente que tem coragem não finge...
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
caio fernando abreu.
"Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia."
caio fernando abreu.
"Quer dizer então que a sua bed-trip continua a mesma? Puxa, você sempre acha tudo um lixo. Corta essa. Olha, sabe duma coisa que eu aprendi? O segredo do belo está aqui, oh. Na sua cuca, no seu olho que realmente vê, dentro de você. Se você souber olhar as coisas dum jeito mágico, tudo fica mais bonito. "
música do dia. 21/01/2008 (20h30)
Nem um dia
Djavan
Um dia frio,
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo.
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você
E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris.
Djavan
Um dia frio,
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você
Eu sem você não vivo.
Um dia triste
Toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você
E tudo me divide
Longe da felicidade e todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia
Nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você
E tudo nascerá mais belo
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
eternal sunshine of the spotless mind.
"Blessed are the forgetful, for they get the better even of their blunders."
Nietzsche
"Abençoados os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus equívocos."
"How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd."
Alexander Pope.
"Feliz é o destino da inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança."

Não poderia começar diferente, né?!
Nietzsche
"Abençoados os que esquecem, pois aproveitam até mesmo seus equívocos."
"How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd."
Alexander Pope.
"Feliz é o destino da inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças!
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança."

Não poderia começar diferente, né?!
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