quarta-feira, 30 de abril de 2008
caio fernando abreu.
"Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal. Mentira: compreendo, sim. Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó. O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos".
terça-feira, 29 de abril de 2008
luiza possi - legião urbana
se eu quiser me convencer, tudo pode ser então um bom motivo pra eu desistir.
então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo...
então me abraça forte e diz mais uma vez que já estamos distante de tudo...
caio fernando abreu.
"Uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar".
caio fernando abreu.
"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que me leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso."
caio fernando abreu.
"Não sei, até hoje não sei se o príncipe era um deles. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo."
segunda-feira, 28 de abril de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
caio fernando abreu.
"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente, insistirás, infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções. Meditarias: as pessoas falam coisas, e por trás do que falam há o que sentem, e por trás do que sentem há o que são e nem sempre se mostra. Há os níveis não formulados, camadas imperceptíveis, fantasias que nem sempre controlamos, expectativas que quase nunca se cumprem
e sobretudo, como dizias, emoções. (...), mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira".
e sobretudo, como dizias, emoções. (...), mas já não sou capaz de me calar, talvez dirás então, descontrolado e um pouco mais dramático, porque meu silêncio já não é uma omissão, mas uma mentira".
26/04/2008
hoje eu acordei com um aperto macio no peito e uma vontade de voltar pra aquele sonho onde andávamos em um campo grande e colorido, a grama era tão mas tão mas tão verdinha e eu tinha tanta mas tanta mas tanta urgência em te apertar, em te abraçar, em te beijar e em te gritar te sussurrar te inundar do meu amor.
e era tão bom correr ao seu lado e sorrir, gargalhar, te morder, ah, amor, tínhamos uma plantação enorme de margaridas-comestíveis, e elas eram tão doces quanto o seu beijo e tão gostosas quanto o seu abraço.
e toda vez que eu ia te dizer que te amava, eu só gritava 'MARGARIDAS' e então você entendia, e respondia 'MARGARIDAS, AMOR!' e éramos tão mas tão mas tão felizes naquele mundinho colorido que tinha um arco-íris só com tons de cor-de-rosa e cor-de-margarida, e amor, eu não queria acordar, eu não queria sair de lá nunca, nunquinha mais.
e eu quero te repetir, te repetir, te repetir agora, todos os dias, todos todos todos MARGARIDAS MARGARIDAS MARGARIDAS, meu amor! ♥
e era tão bom correr ao seu lado e sorrir, gargalhar, te morder, ah, amor, tínhamos uma plantação enorme de margaridas-comestíveis, e elas eram tão doces quanto o seu beijo e tão gostosas quanto o seu abraço.
e toda vez que eu ia te dizer que te amava, eu só gritava 'MARGARIDAS' e então você entendia, e respondia 'MARGARIDAS, AMOR!' e éramos tão mas tão mas tão felizes naquele mundinho colorido que tinha um arco-íris só com tons de cor-de-rosa e cor-de-margarida, e amor, eu não queria acordar, eu não queria sair de lá nunca, nunquinha mais.
e eu quero te repetir, te repetir, te repetir agora, todos os dias, todos todos todos MARGARIDAS MARGARIDAS MARGARIDAS, meu amor! ♥
sábado, 26 de abril de 2008
ana cláudia saldanha jácomo
"Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver."
caio fernando abreu.
"E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que os amigos não se perdem."
caio fernando abreu.
"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim?"
caio fernando abreu.
"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o comeco, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engracado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarcar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você nao me deixa."
caio fernando abreu.
"Isso é o que te desejo na nova década. Zézim, vamos lá. Sem últimas esperanças. Temos esperanças novinhas em folha, todos os dias. E nenhuma, fora de viver cada vez mais plenamente, mais confortáveis dentro do que a gente, sem culpa, é. Let me take you: I’m going to strawberry fields."
caio fernando abreu.
"Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?"
terça-feira, 22 de abril de 2008
o que eu também não entendo - jota quest

essa não é mais uma carta de amor: são pensamentos soltos, traduzidos em palavras pra que você possa entender o que eu também não entendo.
amar não é ter que ter sempre certeza. é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém. é poder ser você mesmo e não precisar fingir, é tentar esquecer e não conseguir fugir.
já pensei em te largar, já olhei tantas vezes pro lado - mas quando penso em alguém, é por você que fecho os olhos.
sei que nunca fui perfeita, mas com você eu posso ser até eu mesma que você vai entender!
posso brincar de descobrir desenho em nuvens, posso contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis *-* posso tirar a sua roupa, posso fazer o que eu quiser. posso perder o juízo, mas com você eu tô tranqüila!
e agora o que vamos fazer? eu também não sei.
afinal, será que amar é mesmo tudo? se isso não é amor, o que mais pode ser?
estou aprendendo também... ♥
[21/04/08]
segunda-feira, 21 de abril de 2008
caio fernando abreu.
"Ou não dizer nada, são uns animais, não iriam entender, perguntariam por que, ela te chutou? não iriam entender que vezenquando a gente fica triste sem motivo, ou pior ainda, sem saber sequer se está mesmo triste. Mas podia aceitar, entrar no carro, vamos até à praia? deitar a cabeça nos braços, apoiar os braços na janela aberta, vento entrando, remexendo nos cabelos, no rosto, jeito de lagrima querendo rolar ."
domingo, 20 de abril de 2008
tentando pintar essas flores com o nome de "amor-perfeito";
- e por que você simplesmente não esquece tudo isso?
- porque eu amo.
- quando você não amava era mais feliz.
- só não sofria. mas não era feliz.
- preferia você daquele jeito.
- eu também... eu também...
eu vou despedaçar você (e o meu ♥) todas as vezes que eu lembrar por onde você já andou sem mim.
- porque eu amo.
- quando você não amava era mais feliz.
- só não sofria. mas não era feliz.
- preferia você daquele jeito.
- eu também... eu também...
eu vou despedaçar você (e o meu ♥) todas as vezes que eu lembrar por onde você já andou sem mim.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
caio fernando abreu.
Zézim, remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas mágoas, nos delírios mais alucinados, nas esperanças mais descabidas, na fantasia mais desgalopada, nas vontades mais homicidas, no mais aparentemente inconfessável, nas culpas mais terríveis, nos lirismos mais idiotas, na confusão mais generalizada, no fundo do poço sem fundo do inconsciente...
caio fernando abreu.
Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
caio fernando abreu.
Também porque aconteceu outra coisa que, como Deus, eu pensava que não existia. Imagino que isso que chamamos de amor. Algo assim. Porque tudo que vivi e senti antes me parece agora bobagem, brincadeira.
Se for pra não te ver chorar, vale a pena. Se for pra ver você me dar um sorriso, eu fico horas na chuva, por mim tudo bem, não importa. Eu fui adolescente até pouco tempo atrás, agora eu quero é ficar calmo. Quero contar meus sonhos, mudar de casa, mandar fazer um quadro nosso. Não sei o correto e já não sou tão certo. Faz a vida ser bela e infinita e diz que não somos grandes demais pra pensar que tudo foi perdido e que nada é como antes.
Sigo o coração que diz que não sabe, mas é segredo. Eu sou criança grande, sabe, e eu quero sair e pular nas poças se for pra te ver amar. E como já foi dito, "toda criança sensível saberá o que estou dizendo".
Sigo o coração que diz que não sabe, mas é segredo. Eu sou criança grande, sabe, e eu quero sair e pular nas poças se for pra te ver amar. E como já foi dito, "toda criança sensível saberá o que estou dizendo".
sábado, 12 de abril de 2008
anais nin
"O amor nunca morre de morte natural. Morre porque nós não sabemos reabastecer sua fonte. Morre de cegueira e dos erros e das traições. Morre de doença e das feridas. Morre de exaustão, das devastações, da falta de brilho."
Que nunca morra. ♥
Que nunca morra. ♥
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