sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

time.after.time




Achei que eu nunca fosse aprender certas coisas. Mas o tempo passa... e muda tudo...
Nos últimos tempos aprendi duas coisas muito importantes. A primeira foi a guardar n'uma caixinha tudo aquilo que já não me faz bem.
Amizades que já não são as mesmas, lembranças que não constróem nada, amores que o tempo levou com ele...
Dedico um tempo a conhecer essas coisinhas, cada detalhe delas. Um tempo pra saborear mais uma vez a pizza com a borda recheada de cheddar, pra sentir mais uma vez o calor da fogueira e o ouvir as vozes familiares falando e sorrindo e cantando... fechar mais uma vez os olhos e fingir que estou acordando com aquele beijo...
Sinto falta pela última vez de um simples olhar e uma risada gostosa e daquele abraço que sabia como me acalmar e do silêncio que falava tanto...
Amo minuciosamente mais uma vez (e pela última) aqueles olhos e aquela boca e aquele sorrisso e aquelas mãos e cada detalhezinho daquela pessoa que sempre teve um lugar tão seu na minha vida...
Não há como conter as lágrimas... afinal não há nada pior que o "nunca" e o "adeus".
E depois de sofrer e amar e cuidar pela última vez de cada uma dessas coisinhas, as coloco em uma caixinha. Uma caixinha com a cor daquele céu estrelado e vagalumes que aparecem aqui e ali, e tem gosto de qualquer uma daquelas bebidas que usávamos pra não ter barreiras, aquelas bebidas fortes e que nos tornava tão frágeis...
E é ali, bem acomodadas na caixinha, que ficam todas essas coisas com gostos e cheiros e saudades e tanto tanto tanto tanto sentimento que vai pesando nos meus ombros carregá-las.
Então entra o segundo grande aprendizado... Abandonar a caixinha. Abandonar todas aquelas caixinhas que pesam e que fazem chorar caso as abra novamente.
Olho mais uma vez e procuro os vagalumes, não mais com a expectativa de vê-los piscando ou com a dor de não encontrá-los... Só resta um sentimento de leveza, algo assim que eu não sei explicar, mas que parece com aqueles chocolates que me faziam tão bem e tão mal, lembra?
E em um dia com céu limpo ou chuvoso ou uma tarde de pôr-do-sol ou uma noite estrelada ou de tempestade com aqueles trovões e relâmpagos que eu tenho tanto medo, deixo a caixinha. No caminho. Que foi tão importante quanto qualquer outra coisa que esteja guardada lá dentro.
Ficam sonhos não realizados, esperanças desbotadas, beijos sem gosto, amores e promessas e toda aquela coisa que ninguém nunca consegue cumprir, ficam todos os "para sempre" com total certeza de um "nunca mais".
Um "nunca mais" leve. E doce.